Operação contra a farra do boi mobiliza policiais de lancha em bairro tradicional de Florianópolis
16/07/2026
(Foto: Reprodução) Operação contra a farra do boi em Florianópolis mobiliza policiais de lancha
As polícias Civil e Militar Ambiental deflagraram nesta quinta-feira (16) uma operação contra suspeitos de participarem da farra do boi em Florianópolis. Por causa do difícil acesso à Costa da Lagoa, tradicional comunidade isolada de pescadores, os agentes usaram lanchas para cumprir oito mandados de busca e apreensão no local (assista acima).
No total, foram nove mandados na cidade. A farra do boi é crime e o associa à figura do mal com perseguição ate de animais pelas ruas até a exaustão (leia a explicação no final da reportagem).
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Segundo o delegado Alex Bonfim, a ação é um desdobramento da operação deflagrada em maio deste ano que apurava um evento de farra do boi na região no início de 2026. Nesta manhã, foram apreendidos celulares, documentos e aves que não possuíam registro.
As espécies serão analisadas para verificar se estão em conformidade com a legislação ambiental.
"Elas não apresentavam anilhas, eram animais silvestres. Então, elas foram apreendidas e agora vão ser encaminhadas ao Cetas [Centro de Triagem de Animais Silvestres] para verificar a viabilidade delas serem reintegradas na natureza", disse o delegado.
🐂🔎O ritual trazido por imigrantes açorianos ao litoral do estado se baseia em soltar um boi em local ermo e cercado de pessoas, que provocam o animal para que ele corra atrás dos envolvidos até chegar à exaustão.
Operação contra a farra do boi em bairro tradicional de Florianópolis mobiliza policiais de lancha
Reprodução/NSC TV
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Contexto histórico
Em março deste ano, em entrevista ao g1, o historiador Francisco do Vale Pereira afirmou que a figura do boi ou do touro está presente em diversas sociedades e culturas ao redor do mundo.
Em Santa Catarina, segundo ele, a prática da farra do boi foi comum no passado, especialmente nas comunidades do litoral catarinense.
Pereira ressaltou que essa manifestação não possui relação com a figura de Judas, mas sim com a representação simbólica do demônio ou do mal.
"Se praticava essas brincadeiras e esse grande desafio de, digamos, transportar, de identificar naquela figura do animal, a figura do demônio, do poder, do mal. A associação não é direta ao Judas, mas sim ao demônio. Não, não tem nada a ver com Judas. A malhação do Judas, inclusive, é uma tradição cristã, religiosa, de muitos povos que tem a ver exclusivamente com aquele que foi o traidor", explicou.
Combate à prática
Em 1997, o Supremo Tribunal Federal (STF), através do Recurso Extraordinário número 153.531-8/SC; RT 753/101, proibiu a farra do boi em território catarinense. Segundo interpretação, a prática é intrinsecamente cruel e por isso é qualificada como crime.
Conforme o órgão, é obrigação do estado garantir a todos o pleno exercício de direitos culturais, incentivando a valorização e a difusão das manifestações, "mas isso não o isenta de observar a norma constitucional que proíbe a submissão de animais à crueldade".
Em 1998, foi aprovada a Lei de Crimes Ambientais, que passou a punir quem pratica, colabora, ou no caso das autoridades, omite-se em impedir atos de crueldade contra animais.
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